quarta-feira, 28 de julho de 2010

Olhos


Entre tudo que se ficou sempre existirão os olhos. 
Não havia muita coisa a ser dita. Era a mesma calmaria de brisa fresca passando sob os cabelos e levantando o aroma de fim de tarde.
Quem dera tudo pudesse consumar-se com uma única frase.
Mas as palavras são armadilhas que os poetas criaram para tentar libertar-se. Tolos. Já não foi lhes dito que tudo é o que é e nem sempre existe a opção do não sentir?
Se eu pudesse apenas tocar. Pegar com as duas mãos aquele amontoado invisível que apenas se sente.
Aí sim teria o poder dos Deuses, o poder de traduzir em palavras o que o corpo todo teme em falar.
E diante de tudo ainda posso dizer que o que sempre existirá está nos olhos.  

terça-feira, 6 de julho de 2010

A arte que está em mim

Uma dança.
Uma música.
Uma pintura.
Uma escrita.
E o que vive é a poesia que cada expressão tem o poder de revelar.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pedaço meu.


Se um dia os meus sentimentos me consumirem restarão minhas palavras para constatar que aqui existiu uma grande história!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Do outro lado da rua.

Todo dia ele está lá, agachado, com a sua idade pesando nas costas, enxergando apenas com um dos olhos, e sua mão estendida pedindo, apenas: ME NOTEM!
Eu devo ser, para muitos, a pessoa louca que passa todos os dias por ele, aperta a sua mão e pergunta como é que vai a sua sobrevida. Me desculpo por quase nunca ter nada a oferecer, até que ele sorri e me diz: "Minha princesa, eu tenho o seu sorriso todos os dias. Que Deus te abençoe!"
E é isso???Uma pessoa que não tem nada, apenas uma calçada imunda e olhares atravessados de nojo ou pena, se contenta com um sorriso?Uma atenção mínima do meu dia turbulento que olhei para o chão e cumprimentei aquela existência sofrida?
É, Seu Antônio, de todos os conhecimentos que adquiri eu recolho a minha prepotência ao me sentir privilegiada e reconheço que a sabedoria é toda sua!
Já está tão banal falarmos em diferenças sociais, é tão cansativo ouvirmos sempre as mesmas coisas e ter a sensação de impotência, ao mesmo tempo em que responsabilizamos o governo, a falta de educação, os ricos, os colarinhos brancos, e o diabo a quatro.
Pois então fica a dica: Comecem sorrindo.
Dimunua a distância entre você e aquele ser que está do outro lado da rua com um gesto. Se familiarize com ele. Interaja. Se envolva!
No final, a surpresa pode ser sua ao ser presenteando com um ensinamento importante.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ao ser que me acompanha.


Eu poderia dedicar esse pequeno tempo para falar de muitas coisas, mas reservo-me o direito de dizer um pouco sobre o que tem me inquietado nos últimos tempos.
Não sei há quanto tempo e muito menos a quantidade de vezes dos meus quase 24 anos (é... semana que vem completarei tal idade) me permitiram ter um contato direto com aquele ser superior que me deu esse negócio chamado Vida.
Talvez com os meus 10 anos de idade já estava ajoelhada no chão pedindo com tanta fé ajuda de algo para que diminuísse a dor de alguém que amo muito e aquele era um momento tão meu que as minhas palavras e lágrimas iam se dissolvendo com a paz que sentia e a certeza de que estavam me ouvindo.
Passam-se os anos e sinto falta da ligação direta que tinha com aquilo.
O mundo é tão louco que tudo parece superficial demais. Ninguém se pergunta como foi colocado nessa situação? Ninguém se pergunta para onde se vai depois daqui? Ninguém se pergunta se tudo acaba como barro e pó? Talvez a única esquizofrênica seja eu ou encontro-me felizmente acompanhada de milhares que estão nessa busca para ir um pouco além daquilo que é possível se enxergar.
Não estou falando aqui de religiões. Falo de algo maior, algo que transcende essa frágil tentativa de nos ligar a algo. Eu falo de Deus, do Criador, De Allah... do que você queira chamar, pois aqui tudo que menos importa é o nome. Também não me meterei na forma que você tem buscado isso, mas estarei contente se você me contar que chegou a algum lugar, um bom lugar, de resto tudo será aprendizagem.
E as minhas palavras hoje são dedicadas para aquele ser que me ouviu há alguns anos atrás e que mesmo com todos os motivos para agir diferente continua comigo quando, já grande, me ajoelho igual criança implorando por uma pequena luz ou uma pequena quantidade de paz.
Não sei teu nome, muito menos da onde nós nos conhecemos, só quero passar um pouco da nossa história para aqueles que distante estão.
No mais, só posso dizer que de concreto o que existe é a fé.

domingo, 2 de maio de 2010

Há pássaros em mim.


Exaustivamente me pego concertando-me, reajustando-me, emoldurando-me.
Concedo-me o direito de ser humanamente humana.
Esqueci que posso errar e transcender com tal erro.
E foi entre uma conduta acertada e outra que ela chegou, puxou a cadeira, sorriu e sentou. Chegou a uma boa hora.
“Desce daí, Mariana. Não vê que já é tarde?”
Mais uma vez aquela voz de fundo controlando, manipulando exercendo a força que não vem de mim.
E se eu apenas enlouquecesse? Saísse dali e fosse a qualquer canto em que a minha liberdade me alcançasse?
E a loucura é apenas uma parte presa e oculta que sempre existiu em mim.
Eu dei um sorriso de volta e a convidei para uma corrida. 
Deixei para trás inúmeros pares de olhos indignados.
De certo, agora, a loucura me pertence e eu pertenço a ela.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A minha tarde de sol


Estou com uma leve impressão de que sentirei falta.
Existem momentos que marcam. Não devido a um acontecimento excepcional, pelo contrário, vai justamente pela simplicidade.
As melhores lembranças são de fatos que se passaram despercebidos até que o tempo levou e nos trouxe a sensação de que aquilo foi muito bom!
Um fim de tarde assistindo a novela das seis com a sua avó e de fundo aquele incomparável aroma de café (isso me faz falta!). Ou na época de faculdade a sala lotada e a polêmica agitando até os mais tímidos dos seres, e quando tudo passa o suspiro e a certeza de que você estava no momento certo e no lugar ideal.
Saudosismo meu ou apenas me precavendo de deixar mais um desses momentos passarem e não estar com os meus dois olhos bem abertos para apreciar tudo a volta.
Se a vida é uma dádiva, como muitos gritam em alto e bom tom, então porque deixamos esses pequenos momentos se dissolverem na nossa história? Deveríamos ter datas comemorativas para isso.
Tudo bem datas comemorativas podem até ser exagero da minha parte, admito, mas que esses simples acontecimentos que fazem toda a diferença quando se acaba o dia deveriam ser valorizados mais no devido contexto, deveriam.
E para fechar esses pensamentos aí vai uma boa frase: “A felicidade se encontra nas coisas mais simples da Terra”. [citando Armandinho com a minha assinatura embaixo!]